Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Mergulhando na História de Olinda e Recife PE.

Recife (a Veneza brasileira) Capital Pernambucana em fotos antigas Recife na década de 70 Recife na década de 70 Recife na década de 70 HOSPITAL UNIVERSITARIO UFPE Construção do Hospital Universitario da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Década de 1950. Avenida Conde da Boa Vista Av Conde da Boa Vista, Ponte Duarte Coelho e Av Guararapes. Década de 1950. Notar prédio JK / INPS sendo contruído. Atualmente abandonado. Recife (a Veneza brasileira) Capital Pernambucana em fotos antigasAvenida Conde da Boa Vista Av Conde da Boa Vista - Década de 1950. Assembléia e Gymnasio - postal datado - 1904 Usina de gás do campo do Jiquiá - 1930 Usina de gas do Campo do Jiquia, onde os "Zeppelins" eram abastecidos.Decada de 1930.Diario de Pernambuco- Caderno Viver - 16/09/1981 Recife na década de 50 - o castelinho Aniversário da cidade do Recife e sua irmã, Olinda Doze de março. Esta é a data oficial dos aniversários das duas cidades mais importantes da história de Pernambuco. Recife comemora 470 anos em 2007, enquanto Olinda apaga velinhas para 472 anos. Muita gente, porém, acha estranho como duas cidades independentes façam aniversário na mesma data, com exatos dois anos de diferença. Como é possível? Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, a data de 12 de março é uma convenção, baseada no mais antigo documento histórico que menciona a existência de Recife e Olinda. A Carta Foral foi um documento escrito por Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, em 1537. O documento foi datado de 12 de março de 1537, e enviado ao rei de Portugal, Dom João III. No texto, Duarte Coelho descreve com precisão e encantamento as duas cidades. Apenas em 1966, quando foi formada uma comissão para decidir quando deveria ser comemorado o aniversário do Recife, decidiu-se estipular a data da Carta Foral como marco zero do nascimento da cidade. Como os historiadores são unânimes em considerar que Olinda nasceu antes, decidiu-se, por consenso, atribuir a Olinda a mesma data de aniversário, com dois anos de antecedência. A verdade é que as duas cidades já existiam antes dos respectivos aniversários. “Seria impossível Olinda ter tantos prédios apenas dois anos antes de Duarte Coelho mencioná-la na Carta Foral. No Recife, inclusive, já se falava da existência do Porto naquele ano. Um porto jamais teria sido construído sem que houvesse uma população grande e estável na cidade”, raciocina Dantas Silva. De qualquer forma, as duas cidades – arquitetonicamente próximas, e de belezas naturais que garantem para ambas postos de destaque no mapa turístico do Brasil – estão de parabéns. Para comemorar o aniversário, a Globo Nordeste preparou uma série de reportagens especial. Os repórteres Adriana Victor e Augusto César viajaram a Portugal, de forma a rastrear as ligações afetivas e culturais entre os dois povos. Para acessar as reportagens da série na íntegra, em vídeo e texto, basta acessar esta página todos os dias, até 12 de março. Uma reportagem por dia será publicada abaixo. Fonte: Pe360graus.globo.com Abordagem histórica Recife, a capital pernambucana, tem uma área de 220 km2, sendo 67,43% morros, 23,26% planícies, 9,3% áreas aquáticas, 5,58% de área verde e com 8,6 quilômetros de extensão de praias. Localizada no litoral do Estado, a cidade é cortada pelos rios Capibaribe e Beberibe e integra a Região Metropolitana do Recife que representa a quarta maior aglomeração urbana do Brasil. Em 2001, sua população atingiu 1.421.947 habitantes e os bairros mais densos eram Brasília Teimosa, Alto José do Pinho e Mangueira. A cidade está didivida em nove zonas eleitorais e a Câmara Municipal é formada por 41 vereadores. História - Recife surgiu de um pequeno núcleo de pescadores que, por volta de 1548, se estabeleceu na foz dos rios Capibaribe e Beberibe, vizinho à vila de Olinda que era a sede da capitania de Pernambuco. Durante a Invasão Holandesa, tornou-se sede do governo holandês no Brasil. Em 1710, com os holandeses já expulsos do Nordeste brasileiro, a carta régia elevando a povoação à categoria de vila provocou uma guerra civil com Olinda, uma vez que a aristocracia olindense não aceitava a ascensão do Recife (ver Guerra dos Mascates). Em conseqüência desses conflitos, a Vila de Santo Antônio do Recife só seria instalada oficialmente no ano seguinte (1711). Foi elevada à categoria de cidade em 1823 e, em 1827, tornou-se capital da província de Pernambuco. Oficialmente, a data de criação do município é 19/11/1709 e o aniversário da cidade é celebrado a 12 de março. A cidade está dividida em seis Regiões Político-Administrativas (RPA), como demonstra o mapa: RPA Centro - 11 Bairros RPA Sul - 08 Bairros RPA Norte - 18 Bairros RPA Sudoeste - 16 Bairros RPA Oeste - 12 Bairros RPA Noroeste - 29 Bairros O Início: Quando Duarte Coelho aqui chegou, em 1535, cometeu dois enganos: primeiro, batizou sua capitania de Nova Lusitânia, em homenagem à terra patrícia - o nome não pegou, talvez como um sinal de aquela viria a ser a capitania mais rebelde ao domínio português, e ficou Pernambuco, mesmo, que quer dizer "Mar Furado". Segundo, Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu, lógico, fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548. Que Venham Os Holandeses: a cultura açucareira na capitania se desenvolvia depressa; riqueza e fausto se instalavam em Olinda. Tanta fartura, óbvio, chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Foi assim que, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631. E agora, com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província. Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de (coincidência!?) Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife em uma metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, o que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam, então, que hora de expulsar os invasores. Viva o Exército Brasileiro!: a resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula. Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, em um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o fato de que este movimento não teve apoio formal da Coroa protuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda! Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes(na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle de Recife. Em 6 de agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras. Briga Entre Irmãs: a semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710. Rebeldia no Sangue: o espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado por seus ideais libertários. Mais recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta. Vista da Cidade Maurícia (Recife) cerca de 1645. Gravura em água forte de Pieter Schenck baseada em desenho de Frans Post para o livro Rerum in Brasilia et alibi gestarum de Caspar Barlaeus. A cidade do Recife tem sua origem intimamente ligada à de Olinda. No foral (carta de direitos feudais) de Olinda, concedido por Duarte Coelho em 1537, há uma referência a "Arrecife dos navios", um lugarejo habitado por mareantes e pescadores. O Recife permaneceu português até a independência do Brasil, com a exceção de um período de ocupação holandesa entre 1630 e 1654. Durante os anos anteriores à invasão da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, o povoado do Recife existiu apenas em função do porto e à sombra da sede Olinda, local que a aristocracia escolheu para residir devido à sua localização elevada, que facilitava a defesa. Ergueram-se fortificações e paliçadas em defesa do povoado e do porto do Recife, todas elas voltadas para o mar. Os temores voltavam-se para o oceano por conta dos constantes ataques ao litoral da América Portuguesa pela navegação de corso e pirataria. Ainda no final do século XVI o "povo dos arrecifes" foi atacado e saqueado pelo pirata inglês James Lancaster que, com três navios, derrotou a pequena guarnição responsável pela defesa do porto. Entre os anos de 1620 e 1626 o então governador Matias de Albuquerque procurou estabelecer posições fortificadas no porto do Recife a fim de que se pudesse evitar outro ataque como aquele, bem como dissuadir a Companhia das Índias Ocidentais da idéia empreendida na Bahia em 1624. Governo da WIC O Recife, conhecido como Mauritsstad (Cidade Maurícia), foi a capital do Brasil neerlandês, tendo sido governada na maior parte do tempo pelo conde alemão (a serviço da Coroa dos Países Baixos) Maurício de Nassau. O império neerlandês nas Américas era composto na época por uma cadeia de fortalezas que iam do Ceará à embocadura do rio São Francisco, ao sul de Alagoas. Os neerlandeses também conquistaram uma série de feitorias na Guiné e em Angola, o que lhes dava controle sobre o tráfico negreiro, juntamente com a produção de açúcar administrados pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie), a empresa para quem Nassau esteve a serviço, de 1637 a 1644. O conde desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad, que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, e do prédio do observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo Mundo. Maurício de Nassau praticou uma política de tolerância religiosa frente aos católicos e calvinistas. Além disso, permitiu a migração de judeus ao Recife e a criação de uma sinagoga, a Sinagoga Kahal Zur Israel, inaugurada em 1642 e considerada o primeiro templo judaico da América do Sul. Nassau era também um entusiasta da ciência e das belas artes. Ao embarcar para o Brasil, trouxe uma plêiade de naturalistas e pintores para retratar e estudar a novo continente. Entre estes destacam-se os pintores Frans Post e Albert Eckhout, que retrataram as paisagens e os exóticos habitantes locais, o médico Willem Piso e o naturalista alemão Georg Marggraf, que estudaram a a fauna e a flora, a farmacopéia local e as doenças tropicais. Nassau retornou à Holanda em 1644, demitido devido a desentendimentos com as autoridades da Companhia, que não se contentaram com o nível de lucros das possessões brasileiras. Os novos governantes holandeses entraram em conflito com a população, desencadeando a partir de 1643 uma insurreição - a chamada Insurreição Pernambucana - que terminaria com a expulsão definitiva dos holandeses em 1654. A economia açucareira local passou a enfrentar a competição das Antilhas Holandesas, para onde os holandeses levaram a tecnologia da produção de açúcar. Mascates Decoração barroca da Capela Dourada (inícios do séc. XVIII). Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates (1710-1711), durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos. Porém, essa revolta não prejudicou o crescimento do povoado do Recife, elevado à categoria de vila independente em 1710. Em 1711 moravam cerca de 16 mil pessoas na vila, e em 1745 a população ascendia a 25 mil. Apesar da queda nos preços do açúcar, construíram-se magníficos conventos e igrejas na cidade, com destaque para o Convento de Santo Antônio (construído majoritariamente no século XVIII), a Capela Dourada (terminada em 1724) e a Igreja de São Pedro dos Clérigos (começada em 1725). Revoltas O início do século XIX no Recife foi marcado por revoltas inspiradas no ideário liberal vindo da Europa: comerciantes, aristocratas e padres, para exigir mais autonomia para a colônia. Entretanto, a classe dominante evitava questões como o fim da escravatura e dispensava a participação popular, temendo revolução. Nesse mesmo século, ocorreram as revoluções mais conhecidas da História do Recife. A Revolução de 1817, a Confederação do Equador, de 1824 e a Revolução Praieira, de 1848. O Recife deixou de ser vila, não se subordinava ao poder central, nem estava subordinado a Olinda. Nesse tempo, iniciou-se um grande período de desenvolvimento da cidade. A elevação à categoria de cidade ocorreu em 1823. Século XX No início do século XX, iniciou-se um período de agitação cutural e a encantadora Belle Époque mostrou a busca de novas linguagens para traduzir as velozes mudanças trazidas pelas novas técnicas. Um pouco da História de OLINDA Olinda, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Mais que o nome pomposo, luz para os olhos. Do alto de suas ladeiras, avistam-se coqueiros e casarios, ao fundo sua irmã Recife e o mar azul infinito. Às seis horas tocam os sinos de suas incontáveis igrejas, arrebatam-se os sentidos. Fundada em 1535 por Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania de Pernambuco, Olinda logo se tornou a capital, residência dos senhores de engenho e pessoas influentes. Desta época datam suas igrejas e seu casario, legítimos representantes da arquitetura barroca do período colonial. Com a chegada dos holandeses em 1630, que preferiram a localização de Recife, baixa como sua terra natal e dotada de um porto natural,Olinda começa a perder importância na capitania. Incendiada pelos flamengos em 1631, mesmo após a expulsão destes em 1654 Olinda continuaria a perder terreno para Recife. A rivalidade entre as duas culminou com a Guerra dos Mascates, em 1710. Hoje, o antigo lar da nobreza lusitana não pode mais competir economicamente com a metrópole e capital do estado. Entretanto, a magia de suas ladeiras, de seu casario, suas igrejas e seu carnaval continuam incomparáveis. Breve História de Olinda Em 1534, a Coroa portuguesa instituiu o regime de Capitanias Hereditárias. A Capitania de Pernambuco foi entregue ao fidalgo português Duarte Coelho, que tomou posse de sua capitania desembarcando, em 9 de março de 1535, na feitoria fundada em 1516, entre Pernambuco e Itamaracá. Pouco tempo depois, ele seguiu para o sul em busca de um lugar para se instalar. Encontrou um local estrategicamente ideal, no alto de colinas, onde existia uma pequena aldeia chamada Marim, construída pelos índios, instalando aí o povoado que deu origem a Olinda. Um sítio protegido pela altura descortinando o mar, com um porto natural formado pelos arrecifes, água em abundância e terras férteis, e fácil de defender, segundo os padrões militares da época. O local era tão aprazível, que, conta-se, o nome Olinda foi dado a partir de uma frase dita por Duarte Coelho: “Ó linda situação para se construir uma vila”. Não se sabe o dia da fundação de Olinda; sabe-se que o povoado prosperou tanto, que em 1537, já estava elevado à categoria de vila. Em 12 de março de 1537, Duarte Coelho enviou ao rei de Portugal, D.João III, o Foral, carta de doação que descrevia todos os lugares e benfeitorias existentes na Vila de Olinda. Nas praias, a vila foi fortificada para a defesa e do alto das colinas se expandiu em direção ao mar, ao porto e ao interior onde ficavam os engenhos de açúcar. Com o extrativismo do pau-brasil e o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar, Olinda tornou-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia, enriquecendo a tal ponto que disputava com a Corte portuguesa em luxo e ostentação. O traçado urbano da vila configurou-se, ainda no século XVI, com a definição dos caminhos e com a ocupação dos principais promontórios pelos religiosos. Com a chegada das primeiras ordens religiosas - carmelitas, em 1580, jesuítas, em 1583, franciscanos, em 1585, e beneditinos, em 1586, foi feita também a catequização dos índios, de fundamental importância para a conquista definitiva das terras. Em 16 de fevereiro de 1630, a Holanda invadiu Olinda e conquistou Pernambuco. Tomada a cidade, os holandeses se estabeleceram no povoado e ilhas junto ao porto e abandonaram Olinda. Em 24 de novembro de 1631, os holandeses incendeiam Olinda, após retirar os materiais nobres das edificações para construir suas casas no Recife, que começa a prosperar sob a administração holandesa. Em 27 de janeiro de 1654, os holandeses foram expulsos e iniciou-se a lenta reconstrução da Vila de Olinda. MUDANÇA - Depois de 1654, não se pode mais mudar o destino do Recife, que passa a ocupar aquele lugar antes Olinda. Será o Recife a sede, embora não oficial, e Olinda, secundarizada, se reconstruirá lentamente, não tendo mais a importância que teve naqueles anos anteriores a 1630. Mapa de meados do século XIX revela uma cidade, título obtido em 1676, ainda com as mesmas dimensões da antiga vila. É bem verdade que se reconstruíram, de forma monumental, as suas casas religiosas. O mercantilismo presente no Recife e a racionalidade daquela nova relação, à luz do novo mundo dos séculos XVI e XVII venceram afinal. Olinda tem seu futuro traçado diante do crescimento da importância do Recife. O centro histórico (atual), nesses meados do século XIX, ainda se encontrava envolvido por propriedades rurais. NOVO FLORESCER - Sendo Olinda lugar de moradias e onde estava instalada, desde 1827, a Academia de Direito, ela adquire certa importância com relação ao lugar de trabalho, o Recife. Mas é o interesse pelos salutares banhos de mar, recomendados pelos médicos, que lhe dá nova vida. Nova vida que é bem representada pelo interesse de uma ligação mais rápida, através de um trem urbano, com o Recife, esta se fez desde a Encruzilhada, por antigo caminho que existia desde o século XVI. De princípio, os veranistas usavam casas de terceiros, alugadas para as temporadas de verão. Depois, são adquiridos imóveis e se torna hábito então morar na cidade, mesmo fora da temporada de veraneio. É o renascimento da cidade. Sente-se essa transformação naquelas casas próximas ao mar, onde elas se revestem com roupas ecléticas e, com as reformas das fachadas, são modernizadas. O que se restringia às áreas próximas às praias vai depois caminhar para as outras ruas da cidade. Uma transformação urbana que dá novo alento ao velho burgo. A água potável, levada às casas pela Companhia Santa Teresa, e a eletrificação, denotam a importância que readquire a cidade. Logo, o trem urbano é substituído pelos bondes elétricos, no início do século XX. Fonte: MENEZES, José Luiz Mota, in Evolução Urbana e Territorial de Olinda: do Descobrimento aos Tempos Atuais - A Vila de Olinda - 1537-1630 Olinda: a história do melhor carnaval de rua do mundo O Carnaval de Olinda é considerado o melhor Carnaval de rua do mundo. Todo ano, atrai mais de um milhão de foliões, para as ruas e ladeiras do Sítio Histórico. Uma festa que, por sua magnitude em termos culturais e pela importância mundial do cenário onde se desenvolve, exige do governo municipal a tomada de iniciativas que possibilite a convivência entre a preservação do patrimônio histórico e o exercício da mais pura manifestação popular do Brasil, com resultados positivos para ambos. Ao mesmo tempo em que preserva o patrimônio histórico, o governo de Olinda também se preocupa em resgatar a cultura da cidade, que tem o Carnaval como uma de suas mais importantes manifestações. Ao assumir em 2001 a administração da cidade, o Governo Popular buscou preservar a riqueza cultural da festa ao proibir a execução de som eletrônico nas ruas e ladeiras do Sítio Histórico, não como um exercício de preconceito contra esse ou aquele ritmo, mas como a melhor forma de preservar a autenticidade da folia olindense, que há três décadas se caracteriza pelo chamado “Carnaval Participação”. História Em seus primórdios, a história do Carnaval de Olinda confunde-se com a história da folia no Recife e em Pernambuco, originária do antigo entrudo - festa pagã européia, que chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses. Era uma brincadeira onde os foliões lançavam farinha, tinturas e água suja. Foi proibida oficialmente e aos poucos incorporou elementos como o confete e a serpentina. Em Pernambuco, o entrudo português mudou no século XVII, quando assimilou costumes africanos. No século XIX, surgiram o frevo e o passo, o que deu ao Carnaval de Pernambuco uma singularidade única no Brasil. A partir de então, começaram a ser organizadas as primeiras agremiações nos bairros populares. O Carnaval de Olinda como o conhecemos hoje também é um evento relativamente recente. Data do início do século XX, coincidindo com o surgimento de diversas agremiações, algumas das quais ainda presentes nos carnavais da atualidade, como o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores, fundado em 1907, e o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, de 1912. O Carnaval de Olinda preserva as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Todo ano, pelas ruas e ladeiras da Cidade Alta desfilam centenas de agremiações carnavalescas e tipos populares, que mantêm vivas as genuínas raízes da mais popular festa do Brasil. São clubes de frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés, cujas manifestações traduzem a mistura dos costumes e tradições de brancos, negros e índios, base da formação do nosso povo e de nossa cultura. Sem falar nos bonecos gigantes, dos quais, todo ano, são criados novos tipos e hoje já somam mais de cem calungas desfilando nas ruas e ladeiras da cidade. Na Terça-Feira Gorda, eles se reúnem e mostram toda sua graça entre os largos do Guadalupe e do Varadouro, em um encontro que por si só já é uma tradição da folia em Olinda. Esses bonecos são uma herança européia e têm sua origem nas procissões do século XV. Lá, os bonecos acompanhavam os cortejos religiosos, aqui, enfeitam a festa pagã. O primeiro boneco a sair às ruas de Olinda foi o Homem da Meia-Noite, que anima a folia desde 1932. Os tipos populares são também outra tradição. A cada ano, eles enchem as ladeiras da Cidade Alta encarnando personagens inspirados tanto nos noticiários do dia a dia, como nos mais tradicionais costumes, todos retratando em suas fantasias a irreverência e a crítica social tradicionalmente presentes na folia da cidade. Hoje o Carnaval de Olinda é, sem nenhum favor, a maior e mais autêntica festa popular do Brasil, atraindo todo ano milhares de foliões de vários recantos do país e do Exterior. A interação com a rica diversidade cultural do Nordeste, representada por troças, clubes, caboclinhos, maracatus e bonecos gigantes, aliada ao calor do frevo e à descontração e alegria do povo da cidade, tornam a folia olindense irresistível para um contingente cada vez maior de foliões. Veja Algumas Fotos do Carnaval de "Olinda 1ª Capital Brasileira da Cultura" História de Recife O Início: Quando Duarte Coelho aqui chegou, em 1535, cometeu dois enganos: primeiro, batizou sua capitania de Nova Lusitânia, em homenagem à terra patrícia - o nome não pegou, talvez como um sinal de aquela viria a ser a capitania mais rebelde ao domínio português, e ficou Pernambuco, mesmo, que quer dizer "Mar Furado". Segundo, Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu, lógico, fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548. Maurício de Nassau Que Venham Os Holandeses: a cultura açucareira na capitania se desenvolvia depressa; riqueza e fausto se instalavam em Olinda. Tanta fartura, óbvio, chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Foi assim que, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631. E agora, com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província. Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de (coincidência!?) Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife em uma metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, o que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam, então, que hora de expulsar os invasores. Viva o Exército Brasileiro!: a resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula. Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, em um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o fato de que este movimento não teve apoio formal da Coroa protuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda! Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes (na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle de Recife. Em 6 de agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras. Briga Entre Irmãs: a semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710. Rebeldia no Sangue: o espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado por seus ideais libertários. Mais recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta. FOTOS DE RECIFE (VENEZA BRASILEIRA)

2 comentários:

  1. A fotografia é considerada obra intelectual, e como tal está protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98: "Art.7º: São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: VII - As obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia.


    não é a primeira vez que tento entrar em contato e determinar a retirada de imagem de minha autoriza, usada sem autorização no seu blog: leonardo medeiros

    A imagem do Recife, lancha sangrando o rio capibaribe, com céu alaranjado, e palácio do campo das Princesas, não está autorizada a veiculação.
    peço ainda de forma amigável, podendo partir para judicial, solicitando pagamento de direito autoral, perdas e danos.
    Segue também o registro da imagem e a imagem da foto em seu site.
    Consciente da retirada imediata, coloco ao seu dispor para maiores informações.

    Gilberto Marcelino

    (81) 92163363

    Diacolor Produções Fotográficas
    www.diacolor.com.br/banco

    (81) 34272699 32413753
    Fax (81) 34262980

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  2. Este blog é uma representação exata de competências. Eu gosto da sua recomendação. Um grande conceito que reflete os pensamentos do escritor. Consultoria RH

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