PESQUISA GOOGLE

Banco BPN enviou R$ 82 mi ao Brasil por bancos off-shore

12/11/2008

Lisboa, 12 nov (Lusa) - O Banco Português de Negócios (BPN) enviou 30 milhões de euros (R$ 82,6 milhões) para o Brasil por meio de veículos off-shore, entre janeiro de 2007 e abril de 2008, revelam os registros do Banco Central.

O mês mais movimentado foi dezembro de 2007 - algumas semanas antes da demissão de José de Oliveira e Costa da liderança do grupo SLN/BPN - quando foram enviados para o Brasil cerca de 20 milhões de euros (R$ 55,1 milhões).

Essa operação foi feita por meio do Banco Insular de Cabo Verde e do BPN Cayman (bancos controlados pela SLN), dizem os dados do Banco Central, que estão disponíveis para consulta pública.

De acordo com os registros, entre janeiro de 2007 e abril de 2008, o Banco Insular de Cabo Verde, o BPN Cayman e a sociedade off-shore SLN Madeira enviaram várias remessas de dinheiro em euros e em dólares, com valores situados entre 900 mil e 4,7 milhões de euros (entre R$ 2,4 milhões e R$ 12,9 milhões), para empresas brasileiras detidas pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN).

Os destinatários destas remessas foram sociedades brasileiras como a Sabrico, uma concessionária da Volkswagen, a Fuentes Participações (detida pela Sabrico e sem atividades conhecidas) e o BPN Creditus Brasil, uma empresa financeira para aquisições a crédito.

Operações

O envio de capitais para o Brasil cessou em Julho de 2008, coincidindo com a entrada em funções da nova administração liderada por Miguel Cadilhe, que substituiu o presidente-interino Abdool Vakil.

O último financiamento dirigido ao Brasil, de US$ 5,9 milhões (R$ 12,9 milhões), aconteceu em julho, com a Fuentes Participações como destinatário. Ao contrário do que acontecia anteriormente, neste caso o envio foi realizado pela própria empresa-mãe, o BPN, e não por bancos ou sociedades off-shore.

A Agência Lusa tentou apurar qual a atividade da Fuentes Participações e qual a sua posição na teia de empresas que constitui a Sociedade Lusa de Negócios. O site da Sabrico inclui a Fuentes entre as participadas da empresa, mas não revela mais informações.

Tanto o Banco Insular como o BPN Cayman ou a Fuentes Participações e outras empresas da SLN, como a Ergi Empreendimentos, são citadas várias vezes nos registros do Banco Central dos anos anteriores a 2007, em operações com valores da mesma grandeza que os registrados no ano passado.

Os dados do Banco Central citam ainda empréstimos concedidos a empresas brasileiras do grupo SLN por parte de entidades como o angolano Banco Africano de Investimento (da Sonangol, parceira do BPN no BPN Brasil), a Bickley Finance LCC e o próprio BPN.

São ainda mencionados empréstimos concedidos pela empresa-mãe, o BPN, a empresas brasileiras como a Cerâmica Gyotoku.

Situação

O governo português decidiu nacionalizar o BPN, que estava em situação de colapso devido a perdas superiores a 700 milhões de euros (R$ 1,9 bilhão), que teriam sido escondidas das autoridades através de veículos off-shore, como o Banco Insular de Cabo Verde, cuja posse o grupo negou durante anos.

O Banco de Portugal e o Ministério Público estão investigando as alegadas irregularidades cometidas pela gestão anterior do grupo SLN/BPN, liderada por José Oliveira e Costa.

0 comentários: